Sobre o Brasil

O Brasil (oficialmente República Federativa do Brasil) é uma república federativa situada na América do Sul. Tem a quinta maior população e também quinta maior área do mundo com 8.514.876,599 km². Ocupando quase a metade (47%) da área da América do Sul. O País possui 20% da biodiversidade mundial, sendo exemplo desta riqueza a Floresta Tropical Amazônica, com 3,6 milhões de quilômetros quadrados. Faz fronteira a norte com a Venezuela, a Guiana, o Suriname e com o departamento ultramarino francês da Guiana Francesa; a sul com o Uruguai; a sudoeste com a Argentina e o Paraguai; a oeste com a Bolívia e o Peru e, por fim a noroeste com a Colômbia. Os únicos países sul-americanos que não têm uma fronteira comum com o Brasil são o Chile e o Equador. O país é banhado pelo Oceano Atlântico ao longo de toda sua costa, ao norte, nordeste, sudeste e sul.

Estados

O Brasil é dividido administrativa e politicamente em 27 unidades federativas, sendo 26 estados e um distrito federal.

UF Sigla Capital Região
1 Acre AC Rio Branco Norte
2 Alagoas AL Maceió Nordeste
3 Amapá AP Macapá Norte
4 Amazonas AM Manaus Norte
5 Bahia BA Salvador Nordeste
6 Ceará CE Fortaleza Nordeste
7 Espírito Santo ES Vitória Sudeste
8 Goiás GO Goiânia Centro-Oeste
9 Maranhão MA São Luís Nordeste
10 Mato Grosso MT Cuiabá Centro-Oeste
11 Mato Grosso do Sul MS Campo Grande Centro-Oeste
12 Minas Gerais MG Belo Horizonte Sudeste
13 Pará PA Belém Norte
14 Paraíba PB João Pessoa Nordeste
15 Paraná PR Curitiba Sul
16 Pernambuco PE Recife Nordeste
17 Piauí PI Teresina Nordeste
18 Rio de Janeiro RJ Rio de Janeiro Sudeste
19 Rio Grande do Norte RN Natal Nordeste
20 Rio Grande do Sul RS Porto Alegre Sul
21 Rondônia RO Porto Velho Norte
22 Roraima RR Boa Vista Norte
23 Santa Catarina SC Florianópolis Sul
24 São Paulo SP São Paulo Sudeste
25 Sergipe SE Aracaju Nordeste
26 Tocantins TO Palmas Norte
27 Distrito Federal DF Brasília Centro-Oeste

Regiões
1 • Região Centro-Oeste 2 • Região Nordeste 3 • Região Norte 4 • Região Sudeste 5 • Região Sul
1 • Região Centro-Oeste
2 • Região Nordeste
3 • Região Norte
4 • Região Sudeste
5 • Região Sul

As regiões do Brasil são cinco grupos de unidades (estados ou distritos) da federação, reunidos de acordo com a proximidade territorial e características geográficas, como paisagens e tipo de solos, semelhantes. A finalidade da divisão do país em regiões é estatística e econômica. Não há, portanto, qualquer tipo de autonomia política das regiões.

Essa divisão tem caráter legal e foi proposta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1969. O IBGE levou em consideração apenas aspectos naturais na divisão do país, como clima, relevo, vegetação e hidrografia; por essa razão, as regiões também são conhecidas como "regiões naturais do Brasil". Há uma pequena exceção com relação à região Sudeste, que foi criada levando-se parcialmente em conta aspectos humanos (desenvolvimento industrial e urbano).

Cidades mais populosas

Com cerca de 190 milhões de habitantes e taxa de urbanização de cerca de 80%, é natural que as 100 maiores cidades brasileiras contem com mais de 250 mil habitantes em 2007. São estas em sua maioria capitais estaduais e cidades do interior da Região Sudeste, principalmente do estado de São Paulo e Minas Gerais.

Posição Cidade e Unidade da Federação População Posição Cidade e Unidade da Federação População

1. São Paulo, São Paulo 11.016.703 51. Vila Velha, Espírito Santo 405.374
2. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro 6.136.652 52. Diadema, São Paulo 395.333
3. Salvador, Bahia 2.714.119 53. Serra, Espírito Santo 394.370
4. Fortaleza, Ceará 2.416.920 54. Carapicuíba, São Paulo 389.634
5. Belo Horizonte, Minas Gerais 2.399.920 55. Olinda, Pernambuco 387.494
6. Brasília, Distrito Federal 2.383.784 56. Porto Velho, Rondônia 380.988
7. Curitiba, Paraná 1.788.559 57. Campina Grande, Paraíba 379.871
8. Manaus, Amazonas 1.644.690 58. Moji das Cruzes, São Paulo 372.419
9. Recife, Pernambuco 1.515.052 59. Macapá, Amapá 368.367
10. Porto Alegre, Rio Grande do Sul 1.440.939 60. Piracicaba, São Paulo 366.442
11. Belém, Pará 1.428.368 61. Cariacica, Espírito Santo 361.058
12. Guarulhos, São Paulo 1.283.253 62. Bauru, São Paulo 356.680
13. Goiânia, Goiás 1.220.412 63. Itaquaquecetuba, São Paulo 352.755
14. Campinas, São Paulo 1.059.420 64. Montes Claros, Minas Gerais 348.995
15. São Luís, Maranhão 998.385 65. Jundiaí, São Paulo 348.621
16. São Gonçalo, Rio de Janeiro 973.372 66. Pelotas, Rio Grande do Sul 346.452
17. Maceió, Alagoas 922.458 67. Canoas, Rio Grande do Sul 333.322
18. Duque de Caxias, Rio de Janeiro 855.010 68. São Vicente, São Paulo 329.370
19. Nova Iguaçu, Rio de Janeiro 844.583 69. Franca, São Paulo 328.121
20. Teresina, Piauí 813.992 70. Maringá, Paraná 324.397
21. São Bernardo do Campo, São Paulo 803.906 71. Ribeirão das Neves, Minas Gerais 322.969
22. Natal, Rio Grande do Norte 789.896 72. Anápolis, Goiás 318.808
23. Campo Grande, Mato Grosso do Sul 765.247 73. Vitória, Espírito Santo 317.085
24. Osasco, São Paulo 714.950 74. Rio Branco, Acre 314.127
25. Santo André, São Paulo 673.234 75. Caucaia, Ceará 313.584
26. João Pessoa, Paraíba 672.081 76. Petrópolis, Rio de Janeiro 310.216
27. Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco 651.355 77. Foz do Iguaçu, Paraná 309.113
28. São José dos Campos, São Paulo 621.965 78. Guarujá, São Paulo 305.171
29. Uberlândia, Minas Gerais 615.345 79. Ponta Grossa, Paraná 304.973
30. Contagem, Minas Gerais 613.386 80. Paulista, Pernambuco 299.744
31. Sorocaba, São Paulo 578.068 81. Blumenau, Santa Catarina 298.603
32. Ribeirão Preto, São Paulo 559.650 82. Vitória da Conquista, Bahia 289.772
33. Cuiabá, Mato Grosso 542.861 83. Governador Valadares, Minas Gerais 289.612
34. Feira de Santana, Bahia 535.284 84. Uberaba, Minas Gerais 285.094
35. Juiz de Fora, Minas Gerais 509.125 85. Cascavel, Paraná 284.083
36. Aracaju, Sergipe 505.286 86. Caruaru, Pernambuco 283.152
37. Ananindeua, Pará 498.095 87. Suzano, São Paulo 280.318
38. Joinville, Santa Catarina 496.051 88. Limeira, São Paulo 279.554
39. Londrina, Paraná 495.696 89. Santarém, Pará 276.074
40. Belford Roxo, Rio de Janeiro 489.002 90. Taubaté, São Paulo 271.660
41. Niterói, Rio de Janeiro 476.669 91. Gravataí, Rio Grande do Sul 270.763
42. São João de Meriti, Rio de Janeiro 466.996 92. Santa Maria, Rio Grande do Sul 270.073
43. Aparecida de Goiânia, Goiás 453.104 93. Barueri, São Paulo 265.549
44. Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro 429.667 94. Viamão, Rio Grande do Sul 261.971
45. Santos, São Paulo 418.375 95. São José dos Pinhais, Paraná 261.125
46. São José do Rio Preto, São Paulo 415.508 96. Petrolina, Pernambuco 260.004
47. Mauá, São Paulo 413.943 97. Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul 258.754
48. Caxias do Sul, Rio Grande do Sul 412.053 98. Volta Redonda, Rio de Janeiro 258.145
49. Betim, Minas Gerais 407.003 99. Várzea Grande, Mato Grosso 254.736
50. Florianópolis, Santa Catarina 406.564 100. Boa Vista, Roraima 249.655

Regiões metropolitanas
Região Metropolitana Estado População
Região Metropolitana de São Paulo São Paulo 20.500.000
Região Metropolitana do Rio de Janeiro Rio de Janeiro 11.351.937
Região Metropolitana de Belo Horizonte Minas Gerais 4.975.126
Região Metropolitana de Porto Alegre Rio Grande do Sul 4.184.042
Região Metropolitana do Recife Pernambuco 3.589.181
Região Metropolitana de Fortaleza Ceará 3.415.455
Região Metropolitana de Salvador Bahia 3.350.523
Região Metropolitana de Campinas São Paulo 3.297.080
Região Metropolitana de Curitiba Paraná 3.251.168
Região Metropolitana de João Pessoa Paraíba 3.224.439
Região Metropolitana de Belém Pará 2.086.906
Região Metropolitana de Goiânia Goiás 2.013.073
Região Metropolitana da Baixada Santista São Paulo 1.476.820
Região Metropolitana da Grande Vitória Espírito Santo 1.437.711
Região Metropolitana de Natal Rio Grande do Norte 1.240.734
Região Metropolitana de Maceió Alagoas 1.116.075
Região Metropolitana da Grande São Luís Maranhão 1.062.801
Região Metropolitana de Joinville Santa Catarina 1.024.212
Região Metropolitana de Campina Grande Paraíba 841.552
Região Metropolitana de Florianópolis Santa Catarina 752.100
Região Metropolitana de Aracaju Sergipe 708.000
Região Metropolitana de Maringá Paraná 576.581
Região Metropolitana da Foz do Rio Itajaí Santa Catarina 465.225
Região Metropolitana de Macapá Amapá 458.008
Região Metropolitana do Vale do Aço Minas Gerais 450.000
Região Metropolitana do Vale do Itajaí Santa Catarina 449.726
Região Metropolitana Carbonífera Santa Catarina 354.066
Região Metropolitana de Tubarão Santa Catarina 128.545

Além do território continental, o Brasil também possui alguns pequenos grupos de ilhas no Oceano Atlântico como exemplo: Penedos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha (região administrativa especial do estado de Pernambuco) e Trindade e Martim Vaz no Espírito Santo. Há também um complexo de pequenas ilhas e corais chamado Atol das Rocas. O Brasil é dividido administrativa e politicamente em 27 unidades federativas, sendo 26 estados e um distrito federal. Nelas estão divididos os 5.564 municípios do país.

Apesar de ser o quinto país mais populoso do mundo, o Brasil apresenta uma das mais baixas densidades populacionais. A maior parte da população se concentra ao longo do litoral, apresentando enormes vazios demográficos em seu interior.

Colonizado por Portugal, o Brasil é o único país de língua portuguesa das Américas. A religião com mais seguidores é o catolicismo, sendo o país com maior número de católicos do mundo. A sociedade brasileira é uma das mais multirraciais do mundo, sendo formada por descendentes de europeus, indígenas, africanos e asiáticos.

Origem do nome

As origens do nome do Brasil com "s" ou com "z" , são ainda uma incógnita que deu lugar a várias hipóteses e emendas, entre elas, o filólogo brasileiro Adelino José da Silva Azevedo, no seu livro publicado em 1967, postulou que se trata de uma palavra de procedência celta, embora suas origens mais remotas possam ser rastreadas até os fenícios.

Na época colonial, entre os cronistas portugueses como João de Barros, Frei Vicente do Salvador ou Pero de Magalhães Gandavo, existe concordância quanto à origem do nome Brasil. Nos registos dos seus documentos só existe uma única versão e esta é de que o nome Brasil deriva do pau da tinta, conhecido como pau-brasil. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto uma certa "ilha Brasil" no meio do atlântico, de onde extraiam o pau-brasil.

O gentílico "brasileiro" surgiu no século XVI e se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil. Passou depois a ser usado informal e costumeiramente para identificar os nascidos na colônia e diferenciá-los dos vindos de Portugal; entretanto foi só em 1824, na primeira constituição brasileira[4], que o gentílico "brasileiro" passou legalmente a designar as pessoas naturais do Brasil.

Antes de ficar com a designação atual "Brasil" as novas terras descobertas foram designadas de: Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras pela primeira vez), Terra dos Papagaios (primeiros contatos, designação mais popular), Ilha de Vera Cruz, Terras de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália etc.

Em 1967, com a primeira Constituição da ditadura militar, o Brasil passou a chamar-se República Federativa do Brasil, nome que conserva.

Período pré-colonial
Descobrimento do Brasil

Originalmente habitado por ameríndios (aproximadamente cinco milhões), o território que hoje pertence ao Brasil, além do restante da América do Sul, já estava dividido entre duas potências européias, Portugal e Castela antes mesmo de seu descobrimento oficial. O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, foi um importante acordo para a definição da futura fronteira do Brasil, que dividia o continente de norte a sul, desde o atual estado do Pará até a cidade de Laguna (Santa Catarina), sendo muito alterada posteriormente, com a expansão portuguesa para o oeste.

Período colonial
Colonização do Brasil e Brasil Colônia.
A colonização não esteve jamais nos propósitos da empresa mercantil que impulsionou as navegações, montada especificamente para a troca, ela operava sempre na pressuposição da existência de produção local, nas áreas com que mantinha a troca. O problema da colonização apresenta, assim, grandes dificuldades, uma vez que a estrutura econômica portuguesa não estava preparada para enfrentá-lo. A exploração da América devia aparecer, no quadro do tempo, como uma empresa extraordinariamente difícil, em primeiro lugar tinha que atrair pessoas para povoar o continente americano. Os obstáculos, nesse sentido, foram tão importantes, que no século XVI, que parece ter-se refletido no controvertido problema dos degredados: tornar o Brasil destino destes parece ter sido uma das formas de vencer as naturais resistências à transplantação para uma terra que não oferecia tão poucas perspectivas. Também havia como obstáculo, penosas condições de trabalho na colônia ao lado das fraquíssimas possibilidades de enriquecimento, mas poderia ser vencido por uma retribuição alta do trabalho, no caso de se deslocarem trabalhadores assalariados. Oficialmente, o descobridor foi Pedro Álvares Cabral, tendo avistado terra em 21 de abril e chegado à atual Porto Seguro (Bahia) em 22 de Abril de 1500.

A ocupação efetiva se deu a partir de 1532, com a fundação de vila de São Vicente, por Martim Afonso de Sousa, donatário de duas capitanias, mas apenas a de São Vicente prosperara, e mesmo assim, menos que a capitania da Nova Lusitânia (Pernambuco). Todas as demais capitanias não prosperaram.

Insatisfeito, Dom João III decidiu criar um governo central para corrigir os problemas sem abolir as capitanias. Foi enviado Tomé de Sousa como primeiro governador-geral, que em 29 de março de 1549 fundou a cidade de Salvador como capital do Brasil.

Ao longo do século XVI, foi-se ensaiando a escravidão, inicialmente a dos indígenas (que não aceitaram a escravidão e foram massacrados aos milhares pelos portugueses), e a partir das últimas décadas a do africano, pois já havia muitos escravos negros em Portugal. Datam desse século as primeiras tentativas de exploração do interior.

Invasões estrangeiras
Invasões francesas do Brasil, Invasões holandesas do Brasil e Escravidão no Brasil.

As ruínas jesuítas de São Miguel das Missões. Patrimônio da Humanidade desde 1983 no estado do Rio Grande do Sul.
As ruínas jesuítas de São Miguel das Missões. Patrimônio da Humanidade desde 1983 no estado do Rio Grande do Sul.

Houve ainda disputas com os franceses, que tentavam se implantar na América pela pirataria e pelo comércio do Pau-Brasil, chegando a criar uma guerra luso-francesa. Tudo isso culminou com a expulsão dos franceses trazidos por Villegaignon, que haviam construído até o pequeno forte de Coligny no Rio de Janeiro, estabelecendo-se em definitivo a hegemonia portuguesa.

O século XVII vê um grande desenvolvimento da agricultura, que usa a mão-de-obra escrava de Negros africanos, com culturas de tabaco e especialmente da cana-de-açúcar na Bahia, Pernambuco, e mais tardiamente no Rio de Janeiro. As expedições chamadas de Entradas e Bandeiras dos paulistas descobriram o ouro, pedras preciosas em Minas Gerais e ervas no sertão. As colônias nordestinas foram ocupadas pelos holandeses em 1624, e entre 1630 e 1654, principalmente sob o comando de Maurício de Nassau, sendo ao final expulsos na batalha de Guararapes. Nessa época foi fundado o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi, guerreiro, que congregava milhares de negros fugidos dos engenhos de cana do nordeste brasileiro e alguns índios e brancos pobres ou indesejáveis. Este "sub-mundo" foi finalmente destruído, não sem uma resistência heróica e violenta, pelos bandeirantes portugueses comandados por Domingos Jorge Velho, tendo seu líder sido morto e decapitado (segundo a tradição não-oficial, Zumbi teria conseguido fugir).

No século XVIII, ainda que a produção do açúcar não tenha perdido sua importância, as atenções da Coroa se concentravam na região das Minas Gerais onde se tinha descoberto ouro. Os portugueses apoderaram-se de toneladas de ouro brasileiro neste processo. Este, entretanto, esgota-se antes do final do século.

Revoltas coloniais
Ouro Preto, palco da Inconfidência Mineira
No final do século XVII, a insatisfação dos colonos acarreta no surgimento dos primeiros movimentos contra a Coroa Portuguesa. Parte dessas rebeliões foram geradas por insatisfação econômica, como foi o caso da Revolta de Beckman, a Guerra dos Mascates e a Guerra dos Emboabas. Porém, dois movimentos ficaram marcados por terem a intenção de proclamar a independência: a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana.

A Inconfidência Mineira foi um movimento que partiu da elite de Minas Gerais. Com a decadência da mineração na segunda metade do século XVIII, tornou-se difícil pagar os impostos exigidos pela Coroa Portuguesa. Além do mais, o governo português pretendia promulgar a derrama, um imposto que exigia que toda a população, inclusive quem não fosse minerador, contribuísse com a arrecadação de 20% do valor do ouro retirado. Os colonos se revoltaram e passaram a conspirar contra Portugal.

Em Vila Rica (atual Ouro Preto), participavam do grupo, entre outros, os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, o padre Rolim, o cônego Luís Vieira da Silva, o minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado Tiradentes.

A conspiração pretendia eliminar a dominação portuguesa e criar um país livre. A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas idéias iluministas da França e da recente independência norte-americana.

Traídos por Joaquim Silvério dos Reis, que delatou os inconfidentes para o governo, os líderes do movimento foram detidos e enviados para o Rio de Janeiro, onde responderam pelo crime de inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Em 21 de abril de 1792, Tiradentes, de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por enforcamento.

Sua cabeça foi cortada e levada para Vila Rica. O corpo foi esquartejado e espalhado pelos caminhos de Minas Gerais. Era o cruel exemplo que ficava para qualquer outra tentativa de questionar o cruel poder de Portugal.

A Conjuração Baiana foi um movimento que partiu da camada humilde da sociedade da Bahia, com grande participação de negros, mulatos e alfaiates, por isso também é conhecida como Conjuração dos Alfaiates. Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem promovidas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma República na Bahia. Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os.

Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos. Centenas de pessoas foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, 49 foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência. Mais de 30 foram presos e processados. Quatro participantes foram condenados à forca e os restos de seus corpos foram espalhados pela Bahia para assustar a população.

Sede do governo português
Os jardins do Ipiranga, construído na região onde foi proclamada a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga, em 1822. Ao fundo, pode-se ver o Museu do Ipiranga.
Os jardins do Ipiranga, construído na região onde foi proclamada a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga, em 1822. Ao fundo, pode-se ver o Museu do Ipiranga.

Em novembro de 1807, as tropas de Napoleão Bonaparte obrigam a coroa portuguesa a procurar abrigo no Brasil. Dom João VI chega ao Rio de Janeiro em 1808, abandonando Portugal após uma aliança defensiva feita com a Inglaterra (que deu proteção aos navios portugueses no caminho). No mesmo ano os portos brasileiros são abertos às nações amigas, configurando, de fato, um fim à condição de colônia, e, finalmente, em 1815, o Brasil é elevado à categoria de Vice Reino dentro do Reino de Portugal. Com o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves governado a partir do Rio de Janeiro, o Brasil passa a ser a única colônia do mundo a se tornar, momentaneamente, metrópole.

Isso irritou setores da sociedade portuguesa da época, e culminou na Revolução liberal do Porto, que eclode em 1820. Os liberais exigiam o regresso de Dom João VI para Portugal e a volta do Brasil à condição de colônia. Em 1821, Dom João VI retorna para Portugal e deixa seu filho, Pedro, como regente. Embora rei, D. João perde, com a Revolução, a condição de monarca absolutista, possuindo um poder simbólico.

D. Pedro é convocado pelos liberais a voltar para Portugal, o que iria deixar o Brasil novamente na condição de colônia. Ele rejeita retornar (Dia do Fico) e passa uma lei na qual qualquer decisão tomada a partir de Lisboa que afetasse todo o Reino Unido deveria ser por ele ratificada a fim de valer no Brasil. Uma vez que Portugal já era então uma metrópole fraca e decadente, não mais poderiam impedir a independência do Brasil. Finalmente, a 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I declara a Independência do Brasil, às margens do Rio Ipiranga.

Período imperial
Imperador Dom Pedro II do Brasil, 1873.

Após a separação de Portugal, ou seja, fim do Brasil Colônia (1500-1822), datado oficialmente em 7 de setembro de 1822, o Brasil se torna uma monarquia constitucional, Brasil Império (1822-1889), mantendo a base de sua economia na agricultura com mão-de-obra escrava. Com o fim do tráfico negreiro em 1850, a liberação de capital permitiu uma maior diversificação da economia brasileira.

Então, Dom Pedro II se dedicou a pôr um fim à escravidão, com o que fazendeiros e políticos de todo o país discordavam. Além de desumana, a mão-de-obra escrava é pouco eficiente e gradualmente substituída por braços vindos com a imigração portuguesa, alemã, italiana e espanhola.

O surto de modernização continua com o fim da escravidão (1888), mas Dom Pedro II paga um alto preço por isso e um golpe de estado o tira do poder e acaba com a Monarquia, no ano seguinte. O que se vê a partir de 1889 e da derrubada de Dom Pedro II é um retrocesso na maneira com que os negros são tratados pelo governo, e a um primeiro momento se estabelece um regime, em essência, racialmente preconceituoso.

Primeira República
República Velha

A República que então se instaura em 15 de novembro de 1889, foi proclamada provisoriamente, com a promessa de um plebiscito dentro de um ano para escolher entre República ou Monarquia, o que só ocorreu em 1993 devido a determinação da Constituição Federal vigente (1988). Dominada por oligarquias estaduais que se sustentavam através de eleições que necessariamente se alternavam no cargos de maior poder os paulistas e mineiros, por isso a República Velha (1889-1930) tem como suas maiores marcas a política do café-com-leite, que começa em 1894, e as mudanças no federalismo no Brasil – o federalismo brasileiro até hoje se apresenta uma versão muito diferente do federalismo estadunidense, em que é baseado.

Era Vargas
Em 1930, Getúlio Vargas comanda uma revolução que o coloca no poder, acabando com a República Velha. Em 1931, derruba a Constituição brasileira, reunindo enormes poderes e despertando a indignação dos opositores, principalmente oligarcas e a classe média paulista, que acabam por iniciar a Revolução Constitucionalista de 1932. Em 1934, sob pressão, promulga uma Constituição democrática. Porém, em 1937 alegando uma conspiração comunista para a tomada do poder, conhecida como Plano Cohen, Vargas outorga uma nova Constituição, fechando o Congresso Nacional, restringindo liberdades individuais, instaurando uma ditadura de inspirações fascistas que durou até 1945. Este período ditadorial da Era Vargas (1930-1945) é chamado Estado Novo.

República Populista
Congresso Nacional, em Brasília.
Após a derrubada da ditadura getulista e a promulgação de uma nova Constituição Federal (1946) até o Golpe Militar de 1964, o país vive a fase mais democrática que já experimentara - Populismo (1946-1964) - embora abalada por fatos como o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954. Vargas havia assumido em 1951 após ter vencido eleição direta para presidente.

Em janeiro de 1956, tomou posse o novo presidente Juscelino Kubitschek, ex-governador de Minas Gerais, que inicia um período de intensa industrialização do país e a construção da nova capital federal, Brasília.

Em 1961 assume a presidência da república o udenista Jânio Quadros, tendo como vice-presidente o petebista João Goulart (havia eleições para presidente e para vice-presidente em duas chapas distintas).

Com a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961 e após um período de instabilidade institucional e da campanha que ficou conhecida como "campanha da legalidade" patrocinada pelo cunhado de João Goulart, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, Jango assume a presidência (primeiro em um regime parlamentarista, depois a partir de 1963 em um regime presidencialista) e propõe um conjunto de reformas que ficaram conhecidas como as "reformas de base", que incluíam distribuição de renda, reforma agrária e outras medidas, consideradas, pela oposição, "comunizantes" . Iniciara-se um período de instabilidade política e atritos entre os diversos interesses da direita e da esquerda.

Ditadura Militar
Anos de chumbo
O golpe militar de 31 de Março de 1964 derruba Goulart, esfria as ambições pessoais e partidárias de ambos os lados e instaura um regime de exceção - ditadura militar (1964-1985) - que teve cinco presidentes que, embora civis no momento em que exerciam a magistratura, eram oficiais-generais da reserva (em ordem cronológica): Marechais Castelo Branco e Arthur da Costa e Silva, e Generais Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. Sob a influência ou coordenação de técnicos como Eugênio Gudin, Roberto Campos e Delfim Netto, o regime militar levou a cabo reformas econômicas, fiscais e estruturais, curiosamente adotando bandeiras semelhantes às de João Goulart, como a Reforma Agrária (cujo projeto, de Roberto Campos, foi combatido pela UDN) e a nacionalização das empresas de infra-estrutura.

Inicialmente entusiasta do regime militar em conseqüência do progresso econômico, principalmente para à classe média, e também devido à manipulação através da censura da mídia e da propaganda oficial, a sociedade opôs-se posteriormente ao regime autoritário. Os exageros do sistema de policiamento político, epitomizados pela morte do jornalista Vladimir Herzog levaram o próprio presidente Geisel a adotar posição enérgica contra a "linha dura".

Nas eleições de 1976 a oposição teve expressiva votação, o que levou a uma " lenta, segura e gradual" abertura política no Brasil|abertura, com a volta de vários exilados políticos, o fim da censura prévia à imprensa, a anistia (dita "ampla, geral e irrestrita") e o movimento, na prática inútil, porém de grande significado simbólico, as Diretas-Já, que reuniu milhões de pessoas em comícios no ano de 1984. Comícios que foram levados ao ar, ao vivo, pelas emissoras de TV do país.

Curiosamente, a maior emissora de TV do Brasil, a Rede Globo de Televisão, foi a única a ignorar completamente o movimento, sem fazer qualquer referência aos comícios em seus noticiários. Somente vindo a fazê-lo após o então presidente do Brasil, General João Figueiredo tratar publicamente do assunto.

Nova República
Em 1985, concorrendo com o candidato situacionista Paulo Maluf, o oposicionista Tancredo Neves ganhou uma eleição indireta no Colégio Eleitoral. É o fim da ditadura militar. O período pós-ditadura militar é conhecido como Nova República. Tancredo não chega a tomar posse, vindo a falecer vítima de infecção hospitalar contraída na ocasião de uma cirurgia. Seu vice-presidente, José Sarney assume a presidência da república. Sob seu governo promulga-se a Constituição de 1988, que institui um Estado democrático e uma república presidencialista, confirmada em plebiscito em 21 de Abril de 1993.

Em 1989, o ex-governador do estado de Alagoas Fernando Collor, praticamente desconhecido no resto do país, por força de uma campanha agressiva baseada na promessa de combate à corrupção (combate aos marajás), da construção de uma imagem de líder jovem e dinâmico, que vendia uma imagem de político de direita progressista (seu partido era o inexpressivo Partido da Reconstrução Nacional) e com apoio dos setores que temiam a vitória do candidato do PT, Luiz Inácio da Silva, é eleito presidente, nas primeiras eleições diretas para o cargo desde 1960.

Entretanto, após dois anos, o próprio irmão do presidente, Pedro Collor de Mello, faz denúncias públicas de corrupção através de um sistema de favorecimento montado pelo tesoureiro da campanha eleitoral, PC Farias. Sem qualquer resistência do Executivo, o Congresso Nacional instaura uma CPI cujas conclusões levam ao pedido de afastamento do presidente (impeachment).

Durante o processo, a Rede Globo de Televisão produz e transmite Anos rebeldes, de Gilberto Braga, uma série dramática ambientada nas manifestações de 1968, a qual serve de inspiração para o movimento dos cara-pintadas, manifestações de estudantes e intelectuais que, do alto de carros-de-som, clamavam por justiça e por um Brasil melhor. Fernando Collor de Mello renunciou antes de ter seu impedimento aprovado pelo Congresso, mas mesmo assim teve seus direitos políticos suspensos por dez anos, embora a lei em vigor na época previsse a suspensão do processo no caso de renúncia antes de sua conclusão.

Collor mudou-se em seguida para Miami. A Justiça o absolveu de todos os processos movidos contra ele por sua gestão. PC Farias evadiu-se do país durante alguns anos e, após enviuvar, retornou a Alagoas mas, em 1996, foi encontrado em seu quarto de dormir, morto por ferimento de arma de fogo.

Collor de Mello foi sucedido na presidência pelo vice-presidente Itamar Franco em cuja administração é adotado o Plano Real, um plano econômico inédito no mundo executado pela equipe do então ministro da fazenda, Fernando Henrique Cardoso (FHC). Percebendo que a hiperinflação brasileira era um fenômeno emocional de separação da unidade monetária de troca da unidade monetária de contas, o plano concentrou todos os índices de reajuste de preços existentes em um único índice, a Unidade Real de Valor, ou URV, a qual posteriormente foi transformada em moeda corrente, o real, acabando assim com o maior problema econômico do Brasil: a inflação.

Com o sucesso do Plano Real, Cardoso, centro-esquerda, concorre e é eleito presidente em 1994, conseguindo a reeleição em 1998. No primeiro mandato de FHC é aprovada à emenda constitucional que permite à reeleição em cargos eletivos do Legislativo e Executivo. Fernando Henrique Cardoso também foi o responsável por privatizar grandes empresas estatais como a Telebrás e a Companhia Vale do Rio Doce, por conseqüência da baixa capacidade de investimento do Estado e a necessidade de maior eficiência de gestão em determinadas áreas.

Após os oito anos do governo considerado neoliberal pela porção maior da mídia e dos intelectuais de esquerda brasileiros, em 2002 elege-se presidente da República o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, do tradicionalmente esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT). A ortodoxia econômica - isto é, o neoliberalismo - continua sendo executado por este governo. Em 2006, Luiz Inácio Lula da Silva é reeleito presidente da República.

Subdivisões
Regiões do Brasil, unidades federativas do Brasil e municípios do Brasil.
As 27 unidades da federação são agrupadas, para fins estatísticos e, em alguns casos, de orientação da atuação federal, em cinco grandes regiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Cada estado, bem como o Distrito Federal, tem seus próprios órgãos executivos (na figura do governador), legislativos (Assembléia Legislativa unicameral) e judiciários (tribunais estaduais).

Apenas aos estados cabe subdividir-se em municípios, que variam em número, entre quinze (Roraima) e 853 (Minas Gerais). As menores unidades autônomas da Federação dispõem apenas do poder Executivo, exercido pelo prefeito, e Legislativo, sediado na câmara municipal. Esta última é uma entidade com uma história secular na Península Ibérica e áreas por ela colonizadas.

Geografia
Geografia do Brasil e Relevo brasileiro.
A geografia é diversificada, com paisagens semi-áridas, montanhosas, de planície tropical, subtropical, com climas variando do seco sertão nordestino ao chuvoso clima tropical equatorial, ao frio da Região Sul, com clima temperado e geadas freqüentes. O país possui, também, a maior reserva de água doce do planeta, servindo como exemplo a Bacia Amazônica e o Aquífero Guarani.

Clima
Clima do Brasil
Em conseqüência de fatores variados, a diversidade climática do território brasileiro é muito grande. Dentre eles, destaca-se a fisionomia geográfica, a extensão territorial, o relevo e a dinâmica das massas de ar. Este último fator é de suma importância porque atua diretamente tanto na temperatura quanto na pluviosidade, provocando as diferenciações climáticas regionais. As massas de ar que interferem mais diretamente são a equatorial (continental e atlântica), a tropical (continental e atlântica) e a polar atlântica.

O Brasil apresenta o clima super-úmido com características diversas, tais como o super-úmido quente (equatorial), em trechos da região Norte; super-úmido mesotérmico (subtropical), na Região Sul do Brasil e sul de São Paulo, e super-úmido quente (tropical), numa estreita faixa litorânea de São Paulo ao Rio de Janeiro, Vitória, sul da Bahia até Salvador, sul de Sergipe e norte de Alagoas.

O clima úmido, também com várias características: clima úmido quente (equatorial), no Acre, Rondônia, Roraima, norte de Mato Grosso, leste do Amazonas, Pará, Amapá e pequeno trecho a oeste do Maranhão; clima úmido subquente (tropical), em São Paulo e sul do Mato Grosso do Sul, e o clima úmido quente (tropical), no Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, sudoeste e uma estreita faixa do oeste de Minas Gerais, e uma faixa de Sergipe e do litoral de Alagoas à Paraíba.

O clima semi-úmido quente (tropical), corresponde à área sul do Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, sul do Maranhão, sudoeste do Piauí, Minas Gerais, uma faixa bem estreita a leste da Bahia, a oeste do Rio Grande do Norte e um trecho da Bahia meridional.

O clima semi-árido, com diversificação quanto à umidade, correspondendo a uma ampla área do clima tropical quente. Assim, tem-se o clima semi-árido brando, no nordeste do Maranhão, Piauí e parte sul da Bahia; o semi-árido mediano, no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e interior da Bahia; o semi-árido forte, ao norte da Bahia e interior da Paraíba, e o semi-árido muito forte, em pequenas porções do interior da Paraíba, de Pernambuco e norte da Bahia.

* Extremos de tempertura do Brasil

* Máxima absoluta: 44.8°C em Fazenda Descalvados em Novembro de 1901
* Mínima absoluta: - 17.8°C no Morro da Igreja em 29 de Junho de 1996

Hidrografia
Hidrografia do Brasil
O Brasil abriga a maior rede hidrográfica do mundo. Seus rios pertencem a diversas bacias hidrográficas. As maiores são:

* Bacia Amazônica
* Bacia do São Francisco
* Bacia do Paraná
* Bacia do rio Paraguai
* Bacia do rio Uruguai

Os rios Paraná, Paraguai e Uruguai vão formar o Rio da Prata (Río de la Plata, em espanhol) por isso se diz que eles formam a a Bacia Platina.

A Bacia Amazônica é a maior do Brasil. Nela existem cerca de 1.100 rios. O principal é o rio Amazonas, que nasce nos Andes peruanos. Ao entrar no Brasil ele se chama rio Solimões até receber o rio Negro.

Geologia
Geomorfologia do Brasil
O Brasil possui terrenos geológicos muito antigos e bastante diversificados, dada sua extensa área territorial. Não existem, entretanto, cadeias orogênicas modernas, datadas do Mesozóico, como os Andes, os Alpes e o Himalaia. Eis a razão pela qual a modéstia de altitudes é uma das características principais da geomorfologia brasileira. Raros são os pontos em que o relevo ultrapassa dois mil metros de altitude, sendo que as maiores altitudes isoladas encontram-se na fronteira norte do país, enquanto as maiores médias regionais estão na Região Sudeste, notadamente nas fronteiras de Minas Gerais e Rio de Janeiro. As rochas mais antigas integram áreas de escudo cristalino, representadas pelos crátons: Amazônico, Guianas, São Francisco, Luís Alves/Rio de La Plata, acompanhado por extensas faixas móveis proterozóicas. Da existência destes crátons advém outra característica geológica muito importante do território: sua estabilidade geológica.

São incomuns no Brasil os grandes abalos sísmicos ou terremotos. Também não existe atividade vulcânica expressiva. As partes mais acidentadas do relevo são resultantes de dobramentos ou arqueamentos antigos da crosta, datados do proterozóico (faixas móveis). As áreas de coberturas sedimentares estão representadas por três grandes bacias sedimentares: Bacia Amazônica, Bacia do Paraná e Bacia do Parnaíba, todas apresentando rochas de idade paleozóica.

Meio ambiente e patrimônio histórico
O Brasil é o país de maior biodiversidade do planeta. Foi o primeiro signatário da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), e é considerado megabiodiverso – o país é responsável por aproximadamente 14% da biota mundial – pela Conservation International (CI).
O mico-leão-dourado é um mamífero típico da Mata Atlântica brasileira
O mico-leão-dourado é um mamífero típico da Mata Atlântica brasileira

A biodiversidade pode ser qualificada pela diversidade em ecossistemas, em espécies biológicas, em endemismos e em patrimônio genético.

Devido a sua dimensão continental e à grande variação geomorfológica e climática, o Brasil abriga seis biomas, 49 ecorregiões, já classificadas, e incalculáveis ecossistemas. Os biomas são: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas e Caatinga.

A biota terrestre possui a flora mais rica do mundo, com até 56.000 espécies de plantas superiores já descritas; mais de 3.000 espécies de peixes de água doce; 517 espécies de anfíbios; 1.677 espécies de aves; e 530 espécies de mamíferos; pode ter até 10 milhões de insetos.

Por esse motivo, é grande a pressão internacional para que o Brasil preserve seu meio-ambiente, tarefa na qual o país em muito tem falhado. Exemplos são a destruião de seus biomas, como a Amazônia, a Mata Atântica e o Cerrado. Aquele que é considerado o maior desastre ecológico da história do Brasil, no entanto, deu-se no ano de 1998, quando do enchimento do reservatório da Usina hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), no Mato Grosso do Sul, pela Companhia Energética de São Paulo. A usina, considerada a terceira mais ineficiente do mundo, possui o maior lago artificial do Brasil, o que custou a destruição de um dos mais ricos ecossistemas do Brasil e do mundo, o desalojamento de milhares de famílias e a morte por afogamento de dezenas de espécies animais em extinção, uma vez que a CESP não realizou seu salvamento. Também desapareceram várias espécies vegetais em extinção e a maior e melhor reserva de argila da América do Sul.

O Patrimônio histórico do Brasil é um dos mais velhos existentes na América, concentrados sobretudo no estado de Minas Gerais (Ouro Preto, Diamantina, São João del-Rei, Sabará, Congonhas, etc) e em outras zonas específicas, como nos centros históricos de Recife, São Luis, Salvador, Olinda, Santos, etc.

Também há diversidade em sítios arqueológicos, como o encontrado no sul do estado do Piauí: Serra da Capivara. Os problemas enfrentados pela maioria dos sítios arqueológicos brasileiros não afetam os mais de 600 sítios que estão no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí. Localizado em uma área de 130 mil hectares o Parque Nacional da Serra da Capivara é um exemplo de conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. Em 1991, foi consagrado patrimônio mundial pela Unesco.

A Serra da Capivara é uma das áreas mais protegidas do Brasil, pois está sob a guarda do Iphan, Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fundahm e do Ibama local, que tem poder de polícia. Nesta mesma área se localiza o Museu do Homem Americano, onde se encontra o mais velho fóssil humano encontrado na América e o segundo mais velho do mundo.

Economia
Economia do Brasil
O Rio de Janeiro é o maior centro turístico do país.
O Brasil é a oitava maior economia mundial de acordo com o Produto Interno Bruto calculado com base no método da paridade do poder de compra [5], sendo a maior da América Latina, no entanto com um PIB per capita inferior a alguns países dessa região (Argentina, Chile e Uruguai), e possuindo um IDH médio, ocupando a 69ª posição mundial.

O primeiro produto que moveu a economia do Brasil foi o açúcar, na capitania hereditária de Pernambuco, durante o período de colônia, seguindo pelo ouro na região de Minas Gerais. Já independente, um novo ciclo econômico surgiu, agora com o café. Esse momento foi fundamental para o desenvolvimento do estado de São Paulo, que acabou por tornar-se o mais rico do país.

Apesar de ter, ao longo da década de 90, um salto qualitativo na produção de bens agrícolas, alcançando a liderança mundial em diversos insumos, com reformas comandadas pelo governo federal, a pauta de exportação brasileira foi diversificada, com uma enorme inclusão de bens de alto valor agregado como jóias, aviões, automóveis e peças de vestuário.

Atualmente o país está entre os 20 maiores exportadores do mundo, com US$ 142 bilhões (em abril 2007) vendidos entre produtos e serviços a outros países. Mas com um crescimento de dois dígitos ao ano desde o governo Fernando Henrique, em poucos anos a expectativa é que o Brasil esteja entre as principais plataformas de exportação do mundo.
São Paulo, o centro econômico do Brasil.

Em 2004 o Brasil começou a crescer, acompanhando a economia mundial. O governo diz que isto se deve a política adotada pelo presidente Lula, no entanto, grande parte da imprensa reclama das altas taxas de juros adotadas pelo governo. No final de 2004 o PIB cresceu 5,7%, a indústria cresceu na faixa de 8% e as exportações superaram todas as expectativas. Porém em 2005 a economia desacelerou, com um crescimento de 2,9%, sendo que em 2006 houve pequena melhora, com um crescimento de 3,7%, bem abaixo da média mundial para países emergentes, de 6,5%. A taxa de investimento no Brasil siuou-se em torno dos 16% do PIB, muito inferior ao índice de seus pares emergentes. Em 2006 o PIB atingiu R$ 2,322 trilhões (US$ 1,067 trilhão).

O Brasil é visto pelo mundo como um país com muito potencial assim como a Rússia, Índia e China, as economias BRICs. A política externa adotada pelo Brasil prioriza a aliança entre países sub-desenvolvidos para negociar com os países ricos. O Brasil, assim como a Argentina e a Venezuela vêm mantendo o projeto da ALCA em discussão, apesar das pressões dos Estados Unidos[carece de fontes?]. Existem também iniciativas de integração na América do Sul, cooperação na economia e nas áreas sociais.

Alguns especialistas em economia, como o analista Peter Gutmann, afirmam que em 2050 o Brasil poderá vir a atingir o padrão de vida verificado em 2005 nos países da Zona Euro[6].

Economia diversificada
O País responde por três quintos da produção industrial da economia sul-americana e participa de diversos blocos econômicos como: o Mercosul, o G-22 e o Grupo de Cairns. Seu desenvolvimento científico e tecnológico, aliado a um parque industrial diversificado e dinâmico, atrai empreendimentos externos. Os investimentos diretos foram em média da ordem de US$ 20 bilhões/ano, contra US$ 2 bilhões/ano da década passada.

O Brasil comercia regularmente com mais de uma centena de países, sendo que 74% dos bens exportados são manufaturas ou semimanufaturas. Os maiores parceiros são: União Européia (com 26% do saldo); EUA (24%); Mercosul e América Latina (21%); e Ásia (12%). Um setor dos mais dinâmicos nessa troca é o de agronegócio que mantém há duas décadas o Brasil entre os países com maior produtividade no campo.

Dono de sofisticação tecnológica, o País desenvolve de submarinos a aeronaves, e também está presente na pesquisa aeroespacial, possui Centro de Lançamento de Veículos Leves e foi o único país do Hemisfério Sul a integrar a equipe de construção da Estação Espacial Internacional (ISS). Pioneiro na pesquisa de petróleo em águas profundas, de onde extrai 73% de suas reservas, foi a primeira economia capitalista a reunir as dez maiores empresas montadoras de automóvel em seu território. Fonte: Portal do Governo Brasileiro

Turismo
Turismo no Brasil
O Brasil atraiu, em 2005, cerca de 5 milhões de turistas estrangeiros. Da Argentina vieram 991 mil, dos Estados Unidos 792 mil e de Portugal 373 mil turistas, ocupando respetivamente os 1º, 2º e 3º lugares no ranking dos principais emissores de turistas para o Brasil. Os visitantes deixaram US$ 4 bilhões no país, tornando o turismo uma importante atividade econômica para o Brasil, gerando 678 mil novos empregos diretos.

Os estados mais visitados pelos turistas foram Rio de Janeiro (34,7%), Santa Catarina (25,1%), Paraná (20,3%), São Paulo (16%), e Bahia (15,5%). As cidades mais visitadas foram Rio de Janeiro (31,5%), Foz do Iguaçu (17%), São Paulo (13,6%), Florianópolis (12,1%) e Salvador (11,5%)

Educação
O sistema de ensino brasileiro foi o pior colocado em um estudo promovido pelo Banco Mundial a respeito das condições dos principais países emergentes para se inserirem na chamada "sociedade do conhecimento", estágio mais avançado do capitalismo.

Em 26 de outubro de 2006, a Unesco publicou o relatório anual "Educação pata Todos" colocou o país na 72º posição, em um ranking de 125 países. Com a velocidade de desenvolvimento atual, o país só atingiria o estágio presente de qualidade dos países mais avançados em 2036.

O grau de educacional da população brasileira é ínfimo perto dos outros países latino americanos, bem como de outras economias emergentes. Enquanto que a escolaridade média do brasileiro é de 4,9 anos, a dos Argentinos é de 8,8 anos. O ensino médio completo no país atinge apenas 22% da população, contra 55% na Argentina e 82% na Coréia do Sul.

De acordo com o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), o Brasil está sempre em último lugar em leitura, matemática e ciências.

Estudos da Fundação Getulio Vargas afirmam que 35% das desigualdades sociais brasileiras podem ser explicadas pela desigualdade no ensino.

Há hoje no Brasil mais de 97% crianças de sete a 17 anos matriculadas no ensino fundamental.

Sistema de ensino
O sistema de ensino no Brasil é formado pela educação básica; educação infantil, nove anos de ensino fundamental (sete a quinze anos), três anos de ensino médio (dezesseis a dezeoito anos) e ensino profissionalizante; e pelo ensino superior, de acordo com a Lei 9394/96.

O país apresenta um grande avanço em relação ao ensino fundamental, caminhando para a universalização. Em 2003, cerca de 93,8% das crianças entre sete e catorze anos freqüentavam a escola.[carece de fontes?] Entretanto, ainda há um grande déficit de qualidade neste ensino: segundo os dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), em 2001, 59% dos alunos da quarta série do ensino fundamental não desenvolveram competências elementares de leitura (ou seja, ainda estão em uma situação de semianalfabetismo).

O ensino médio (quinze a dezessete anos) é faixa que se preparam os alunos para ingressarem no ensino superior. Entretanto, o ensino médio funciona como um divisor de águas social, promovendo as desigualdades em termos regionais e étnicos, as quais, mais tarde, refletem-se na desigualdade de renda entre os brasileiros.

A taxa de freqüência líquida (indicador que identifica o percentual da população em determinada faixa etária matriculada no nível de ensino adequado a essa faixa etária) cai, assim, para 40% no ensino médio, deixando mais da metade da população sem condições de competir no mercado de trabalho. Em um mundo altamente competitivo, parte da população é penalizada com a baixa escolaridade, condenada aos postos menos valorizados e mal remunerados.

Ao mesmo tempo, esta mão de obra é desvalorizada pelas empresas, que preferem buscar trabalhadores mais qualificados em outros países, gerando desemprego e informalidade. Por outro lado, a taxa de freqüência bruta (total de matrículas de determinado nível de ensino com a população na faixa etária adequada a esse nível de ensino), é mais animadora, de 76,6%.

A situação é agravada pela desigualdade do acesso ao ensino médio entre negros e brancos, e entre as regiões do país. Enquanto que no Sudeste a taxa de freqüência no ensino médio é de 52,4%, está é de apenas 22,7% no Nordeste. Da mesma forma, a taxa de freqüência é de 52,4% entre os brancos, e apenas de 28,2% entre pardos e negros.

O ensino superior apresenta uma taxa de freqüência de apenas 9,8%. É nesta instância que se forma a camada mais importante para a independência de um país, responsável pela administração geral da nação e pelo desenvolvimento de pesquisas nas mais diversas áreas, as quais promovem o desenvolvimento da sociedade e das empresas, e dão as condições de competitividade externa. As desigualdades regionais e étnicas também são claramente visíveis neste nível.

Enquanto que a taxa de freqüência é 13,7% na região Sul, no Nordeste esta é de apenas 5,1%. Da mesma forma, 15,5% dos brancos entre 18 e 24 anos freqüentam o ensino superior, contra apenas 3,8% dos negros e pardos.

Demografia
Demografia do Brasil
Raças e etnias
A população brasileira é formada principalmente por descendentes de povos indígenas, colonos portugueses, escravos africanos e de diversos grupos de imigrantes que se estabeleceram no Brasil, sobretudo entre 1820 e 1970. A maior parte dos imigrantes era de italianos e portugueses, mas houve significante presença de alemães, espanhóis, japoneses e sírio-libaneses
Cor/Raça (2006)
Branca 49,7%
Parda 42,6%
Preta 6,9%
Amarela 0,5%
Indígena 0,3%

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classifica o povo brasileiro entre cinco grupos: branco, preto, pardo, amarelo e indígena, baseado na cor da pele ou raça. A última PNAD (Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios) encontrou o Brasil sendo composto por 93.096 milhões de brancos, 79.782 milhões de pardos, 12.908 milhões de pretos, 919 mil amarelos e 519 mil indígenas.

Comparado à outros censos realizados nas últimas duas décadas, pela primeira vez o número de brancos não ultrapassou os 50% da população. Em 2000, os brancos eram 53,7% no censo. Em comparação, o número de pardos cresceu de 38,5% para 42,6% e o de pretos de 6,2% para 6,9%. De acordo com o IBGE, essa tendência se deve ao fato da revalorização da identidade histórica de grupos raciais historicamente discriminados. A composição étnica dos brasileiros não é uniforme por todo o País.

Devido ao largo fluxo de imigrantes europeus no Sul do Brasil no século XIX, a maior parte da população é branca: 79,6%. No Nordeste, em decorrência do grande número de africanos trabalhando nos engenhos de cana-de-açúcar, o número de pardos e pretos forma a maioria, 62,5% e 7,8%, respectivamente. No Norte, largamente coberto pela Floresta Amazônica, a maior parte das pessoas é de cor parda (69,2%), devido ao importante componente indígena. No Sudeste e no Centro-Oeste as porcentagens dos diferentes grupos étnicos são bastante similares.

De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, racismo é um crime inafiançável e condenável à prisão

Devido às suas dimensões continentais, o Brasil é um país com uma rica diversidade de culturas, que sintetizam as diversas etnias que formam o povo brasileiro. Por essa razão, não existe uma cultura brasileira homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura do Brasil. É notório que, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil é, majoritariamente, de raiz lusitana.

É justamente essa herança cultural lusa que compõe a unidade do Brasil: são diferentes etnias, porém, todos falam a mesma língua (o português) e, quase todos, são cristãos, com largo predomínio de católicos. Esta igualidade lingüística e religiosa é um fato raro para um país imenso como o Brasil.

Embora seja um país de colonização portuguesa, outros grupos étnicos deixaram influências profundas na cultura nacional, destacando-se os povos indígenas, os africanos, os italianos e os alemães. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito da música, da culinária, no folclore e nas festas populares do Brasil. É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto certas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada.

Quanto mais à sul do Brasil nos dirigimos, mais europeizada a cultura se torna. No Sul do país as influências de imigrantes italianos e alemães são evidentes, seja na culinária, na música, nos hábitos e na aparência física das pessoas. Outras etnias, como os árabes, espanhóis, poloneses e japoneses contribuíram também para a cultura do Brasil, porém, de forma mais limitada.

Atualmente, o país está passando por um processo de integração cultural no Mercosul, e, de forma a acelerar esse processo, está criando a Universidade do Mercosul, uma instituição multicampi que terá unidades em todos os países do bloco, inclusive os associados.

Idioma nacional
O português é a língua oficial e falada por toda a população. O Brasil é o único país de língua portuguesa das Américas, dando-lhe uma distinta identidade cultural em relação aos outros países do continente. Ainda é o idioma mais falado na América do Sul (50,1% dos sul-americanos o falam).

O português é o único idioma falado e escrito oficial do Brasil, podendo existir, entre regiões e estados do país, pequenas variações na linguagem coloquial. É a língua usada nas instituições de ensino, nos meios de comunicação e nos negócios. A Linguagem Brasileira de Sinais é, no entanto, considerada um meio de comunicação legal no país.

O idioma falado no Brasil é em parte diferente daquele falado em Portugal e nos outros países lusófonos. O Português do Brasil e o Português europeu não evoluíram de forma uniforme, havendo algumas diferenças na fonética e na ortografia, embora as diferenças entre as duas variantes não comprometam o entendimento mútuo.

Idiomas indígenas e de imigrantes
Na época do Descobrimento, falavam-se mais de mil línguas no Brasil. Atualmente, esses idiomas estão reduzidos à 180 línguas. Das 180 línguas apenas 24, ou 13%, têm mais de 1000 falantes; 108 línguas, ou 60%, têm entre 100 e 1000 falantes; enquanto que 50 línguas, ou 27%, têm menos de 100 falantes e metade destas, ou 13%, têm menos de 50 falantes, o que mostra que grande parte desses idiomas estão em sério risco de extinção.

Nos primeiros anos de colonização, as línguas indígenas eram faladas inclusive pelos colonos portugueses e era baseada na língua tupi. Por ser falada por quase todos os habitantes do Brasil, ficou conhecida como Língua geral. Todavia, no século XVIII, a língua portuguesa tornou-se oficial do Brasil, o que culminou no quase desaparecimento dessa língua comum.
Na Serra Gaúcha é possível escutar brasileiros falando em alemão ou italiano.
Na Serra Gaúcha é possível escutar brasileiros falando em alemão ou italiano.

Com o decorrer dos séculos, os índios foram exterminados ou aculturados pela ação colonizadora e, com isso, centenas de seus idiomas foram extintos. Atualmente, os idiomas indígenas são falados sobretudo no Norte e Centro-Oeste. As línguas mais faladas são do tronco Tupi-guarani.

Além das dezenas de línguas autóctenes, dialetos de origem alóctones são falados em colônias rurais mais isoladas do Brasil meridional, sobretudo o hunsrückisch e o talian (ou vêneto brasileiro), de origens alemã e italiana, respectivamente.

Religião
Religião do Brasil
Sendo constitucionalmente um estado laico, o Brasil não possui religião oficial e a discriminação aos seguidores de determinada religião é ilegal. Apesar disso, a população do país é tradicionalmente seguidora da Igreja Católica Apostólica Romana e é inegável a influência de tal religião em vários momentos do passado e até mesmo do presente.

Nos dias de hoje é o Brasil é considerado o maior país católico do mundo em números absolutos. Porém, principalmente a partir da década de 1980, o catolicismo vem perdendo espaço para os protestantes/evangélicos, movimento que se acentuou na década de 1990 e que, hoje já representam a segunda religião mais difundida no País

O censo demográfico realizado em 2000 pelo IBGE revelou a seguinte estrutura religiosa do país:

* 74% da população (cerca de 139 milhões) se declara católico.
* 15,4% (cerca de 28 milhões) se declara protestante.
* 7,4% (cerca de 12 milhões) se declara agnóstico, ateu ou não-seguidor de religião alguma.
* 1,3% (cerca de 2,2 milhões) se declara espírita.
* 0,3% se declara seguidor de religiões tradicionais africanas tais como Candomblé e Umbanda.
* 1,7% são seguidores de outras religiões. Dentre elas estão as Testemunhas de Jeová (1.100.000), os Santos dos Últimos Dias (600.000), os budistas (215.000), os judeus (150.000) e os muçulmanos (27.000).

Culinária
Culinária do Brasil
A culinária brasileira é fruto de uma mistura de ingredientes europeus, indígenas e africanos. A refeição básica do brasileiro consiste em arroz, feijão e carne. O prato internacionalmente mais representativo do país é a feijoada. Os hábitos alimentares variam de região para região. No Nordeste há grande influência africana na culinária, com destaque para o acarajé, vatapá e molho de pimenta. No Norte há a influência indígena, no uso da mandioca e de peixes. No Sudeste há pratos diversos como o feijão tropeiro e angú, em Minas Gerais, e a pizza em São Paulo. No Sul do país há forte influência da culinária italiana, em pratos como a polenta, e também da culinária alemã. O churrasco é típico do Rio Grande do Sul.

Literatura
Prosa
O primeiro documento que pode ser chamado de Literatura Brasileira é a carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Manuel I de Portugal, em que o Brasil é descrito, em 1500. Nos próximos dois séculos, a literatura brasileira ficou resumida à descrições de viajantes e à textos religiosos. O neoclassicismo se expandiu no século XVIII na região das Minas Gerais.

Aproximadamente em 1836, o Romantismo afetou a Literatura Brasileira e nesse período, pela primeira vez, a literatura nacional tomou formas próprias, adquirindo características diferentes da literatura européia. O Romantismo brasileiro (possuindo uma temática indianista), teve como seu maior nome José de Alencar e exaltava as belezas naturais do Brasil e os indígenas brasileiros.

Após o Romantismo, o Realismo se expandiu no país, principalmente pelas obras de Machado de Assis (fundador da Academia Brasileira de Letras). Entre 1895 e 1922, não houve estilos literários uniformes no Brasil, seguindo uma inércia mundial. A Semana da Arte de 1922 abriu novos caminhos para a literatura do país. Surgiram nomes como Oswald de Andrade e Jorge Amado.

Atualmente o escritor Paulo Coelho, membro da Academia Brasileira de Letras é o escritor brasileiro mais conhecido, alcançando a liderança de vendas no país e recordes pelo mundo. Apesar de seu sucesso comercial, críticos diversos consideram que produz uma literatura meramente comercial e de fácil digestão, e chegam a apontar diversos erros de português em suas obras, principalmente em seus primeiros livros. Outros autores contemporâneos são bem mais considerados pela crítica e possuem também sucesso comercial, como Ignácio de Loyolla Brandão, Rubem Fonseca e outros.

Poesia
A poesia brasileira, como toda a literatura nacional, também está dividade em vários movimentos literários.

O primeiro movimento é o Barroco, cujo principal poeta é Gregório de Matos, que chegaram aos dias atuais pela tradição oral, já que nunca publicou em vida. O marco inicial do barroco é o poema Prosopopéia, de Bento Teixeira, com estilo inspirado em Camões. Também dessa época é o primeiro livro impresso por um autor nascido no Brasil, Música do Parnaso, de Manuel Botelho de Oliveira.

A seguir, considera-se que inicia-se o arcadismo, que em Portugal tem em Bocage seu principal representante. No Brasil, poetas como Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, criador de Marília de Dirceu e Alvarenga Peixoto.

Após o arcadismo vem a fase romântica, com pelo menos três gerações, contando com poemas que evocam o patriotismo, como Canção do Exílio de Gonçalves Dias, da primeira geração. Na segunda geração, poetas como Álvares de Azevedo apresentam uma certa obssessão pela morte. Na terceira geração aparece Castro Alves, um dos mais conceituados poetas brasileiros de todos os tempos, autor de Navio Negreiro. Era a época dos escritores abolicionistas.

Segue-se uma época de formalismo extremo, o parnasianismo, cuja estrela máxima é certamente Olavo Bilac. Esse movimento viria a diminuir em muito a influência do simbolismo, de Cruz e Sousa e Gilka Machado, uma das raras presenças femininas na literatura brasileiras antes até o século XX.

O parnasianismo viria a ser fortemente combatido pelos modernistas, causando grande polêmica que resultaria em um racha na cultura nacional. Os modernistas pregavam a destruição da estética anterior e praticamente assumem a liderança do movimento cultural brasileiro com a Semana de Arte Moderna em 22. São poetas como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, líderes do movimento, e Manuel Bandeira, que se juntaria mais tarde. É o modernismo que domina a cultura brasileira do século XX, passando por mais duas gerações com poetas como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meirelles, Murilo Mendes e Jorge de Lima na segunda geração e Péricles Eugênio da Silva Ramos, Domingos Carvalho da Silva e Lêdo Ivo na terceira.

O modernismo acabou levando ao concretismo, com poetas como Ferreira Gullar e Haroldo de Campos.

A poesia contemporânea apresenta nomes como Ana Cristina Cesar, Adelia Prado e outros.

Música
A música brasileira foi influenciada por ritmos portugueses, africanos e indígenas. Sobre a música dos ameríndios antes da colonização portuguesa pouco se sabe, pois os primeiros registros datam de 1568. A música do Brasil seria moldada pela herança trazida por colonos europeus e escravos africanos.

Música erudita
A música erudita brasileira, durante seu primeiro período, foi quase totalmente baseada na música européia. O primeiro grande compositor brasileiro com obra documentada, registrada e comumente executada foi José Maurício Nunes Garcia, com grande repertório de música sacra e forte influência do classicismo vienense de Haydn e Mozart.

Os compositores do romantismo brasileiro eram influenciados pela escola italiana, e por isso se dedicaram principalmente à ópera. Elias Álvares Lobo escreveu a primeira ópera genuinamente brasileira, sob o título de "A Noite de São João". Porém, foi Carlos Gomes o maior expoente do romantismo brasileiro, adquirindo fama internacional com óperas em italiano e escritas em geral ao gosto do público europeu, muitas vezes incluindo temáticas brasileiras, como acontece nas óperas "Il Guarany" e "Lo Schiavo".

O modernismo foi, provavelmente, o período mais fecundo da música erudita brasileira. Subdividiram-se em duas escolas: os nacionalistas, representados principalmente por Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri, e os vanguardistas, que seguiram a Segunda Escola de Viena, cujos maiores representantes foram Cláudio Santoro e Guerra Peixe. Posteriormente, passou a prevalecer o neotonalismo, cujos principais expoentes foram Osvaldo Lacerda, Ronaldo Miranda, Amaral Vieira e Edino Krieger, embora as tendências de vanguarda continuem se verificando fortemente nas obras de compositores como Edson Zampronha e Jorge Antunes.

Música popular
Provavelmente uma das músicas mais diversas em ritmos e influências, a música popular brasileira vive um movimento constante de mistura de ritmos já aceitos com aqueles que vem importados do exterior, tanto pela classe alta ou baixa, que se misturam e muitas vezes permitem a criação de estilos genuinamente nacionais. Assim, o samba se criou a partir de ritmos africanos, o rock foi importado e nacionalizado de várias formas, o jazz influenciou a bossa-nova, o pop e, atualmente, a periferia traz o funk e o rap para música nacional.

Provavelmente o mais conhecido estilo musical brasileiro é o samba. Ele surgiu na Bahia, a partir da música trazida pelos escravos africanos. Tronou-se popular no Rio de Janeiro, onde ganhou novos contornos, instrumentos e histórico próprio, de forma tal que, como um gênero musical, apontam seu surgimento no ínicio do século XX na cidade do Rio de Janeiro. O samba só se tornou popular com Chiquinha Gonzaga, que o consagrou no carnaval. A partir de então surgiram cantores como Carmem Miranda, Ary Barroso, Orlando Silva, que se tornaram populares entre os ouvintes da rádio brasileira.

A música regional também é muito presente em todo o território brasileiro. No Nordeste há ritmos como o Frevo e o Forró, com músicos consagrados nacionalmente como Luiz Gonzaga e Dominguinhos. No Norte surgiu a lambada, que fez muito sucesso na década de 1980. No Sul são presentes as músicas gaúchas. Em alguns lugares, como os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, e interior de São Paulo, há o predomínio da música sertaneja (estilo musical autoproclamado herdeiro da "música" "caipira" e da moda de viola que se caracterizava pela melodia simples e melancólica).

Em 1922, a Semana de Arte Moderna revolucionou a música brasileira. Com Heitor Villa-Lobos, criou-se uma mescla de música folclórica brasileira com novas tendências. Na década de 1950 surgiu a bossa-nova, considerada por muitos uma forma brasileira do jazz norte-americano. A Bossa Nova foi criada baseada no jazz, porém com forte influência da música afro-brasileira, sendo seu maior nome Antônio Carlos Jobim.

O Tropicalismo se desenvolveu no final dos anos 60, durante a Ditadura Militar, tendo sido um instrumento de protesto usado pelos artistas brasileiros contra os militares. Nesse período surgiram nomes como Gilberto Gil, Chico Buarque e Caetano Veloso.

Sob o nome de Música Popular Brasileira (MPB), surgiu um momento novo na música nacional, em que diferentes estilos musicais passaram a ser cantados, como o rock, axé e música pop em geral. A MPB se uma espécie de "boa música nacional", o que causa ressentimento em alguns meios, que se consideram desprezados pela crítica.

Se da década de 1960 até a década de 1990 a Bossa Nova, MPB e o rock brasileiro tornaram a música brasileira mais elitista no final do século XX e início do século XXI aconteceram um forte aumento da influência da música baiana, da música nordestina, em seus vários estilos, e da música "da periferia", como o funk e rap.

Outro fator importante a analisar é o efeitos massificador da mídia unificada no Brasil, transformando artistas de sucesso e forte apelo popular em mega-estrelas, como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Sandy e Júnior.

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